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Mulheres são destaque na área de Automotiva do Senai

Quarta-feira, 03 de outubro de 2018

Geine Rocha e Thamires Senna estão concluindo o curso de Eletricista de Automóveis; Evilma Sabrina, o de Mecânica

Geine Rocha, Thamires Senna e Evilma Sabrina. Três mulheres que se destacam nos cursos da área de Automotiva do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/AL), geralmente dominados por homens. Elas são alunas do Centro de Formação Profissional Gustavo Paiva, unidade localizada no bairro do Poço, e garantem: o preconceito não vai afastá-las de seguir com a profissão.

Cada uma tem uma motivação diferente para estar ali. Geine, de 22 anos, sobrevive na área de automotiva. O pai trabalha com a profissão e, segundo ela, o engraçado é que nenhum dos três irmãos se interessou. “Só eu tomei gosto. A única mulher”, brincou. Desde pequena, Geine estava envolvida: se via o pai trabalhando, queria ajudá-lo nem que fosse levando a chave para que ele apertasse um parafuso.

“Agora, eu aproveitei a oportunidade que tive no Senai e escolhi isso para fazer. Foi meu primeiro curso. Antes, diziam que isso era profissão de homem e hoje não existe mais a profissão de homem nem a profissão de mulher. Hoje, existe a profissão que você gosta para você fazer. O respeito já está maior”, disse.

Quem compartilha da mesma ideia é a colega de classe, Thamires. As duas estão concluindo o curso de Eletricista de Automóveis. Thamires, que também tem 22 anos, já garantiu que não vai parar agora. Quer também fazer o curso de Mecânica, promovido pelo Senai.

“Eu quero exercer essa profissão. Há preconceito, mas é uma coisa que eu quero e, por isso, vou tentar. Eu gosto de tirar o motor, testar o alternador, colocar de volta no lugar. Comecei desmontando minhas bicicletas, meus brinquedos. Meu pai propôs que eu fizesse o curso e aceitei”.

No curso de Mecânica, quem chama atenção é a Evilma. Ela tem 31 anos e muita história para contar. Trabalhava em postos de combustível, como frentista, mas ficava de olho em como aprender outras competências. Chegou a trocar óleo de direção, óleo de freio, fez arrefecimento de radiador. No Senai, ela encontrou a primeira experiência de formação.

“É meu primeiro curso, apesar de saber um pouco de mecânica. Vou colocar meu currículo e ter a oportunidade de trabalhar em uma coisa que gosto de fazer. Gosto de tudo. E é legal trabalhar com uma turma só de homens. E só eu, mulher, assim no meio. Eles ficaram meio espantados no começo, mas é bom, é uma experiência boa que eu vou ter”, relata.

 

Do lado de lá

Os professores também acham interessante a participação das mulheres nas turmas. Hugo Soares Santos, do curso de Eletricista de Automóveis, e Amarildo Honório da Silva, de Mecânica, estão até acostumados em ter alunas. Segundo eles, elas são mais atenciosas, dedicadas e se destacam por causa do interesse.

“Geralmente, o homem por ser homem pensa que já sabe, e as meninas dão show de bola em cima deles. É um aprendizado diferente. Na minha opinião, já não existe mais trabalho masculino e trabalho feminino. O lugar já é delas também”, sinaliza o professor Amarildo.

O professor Hugo também não está surpreso. Outras alunas do Senai passaram pela sua sala de aula. Geine e Thamires serviram para também mostrar ao professor o quanto as coisas estão modificadas para melhor.

“Essa mudança de comportamento é ótima. As meninas sempre se sobressaiam melhor na teoria e tinham vergonha na parte prática. Hoje, isso não existe mais. Inclusive, parabenizo as meninas por isso. Para mim, foi uma experiência excelente e me mostra que houve uma época em que nos enganamos e que isso mudou”.

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